Novo Estudo Revela Ligação Entre Bactérias Orais e Ataques Cardíacos: Uma Abordagem Infecciosa

· 3 min de leitura · Equipe Clinibud

Novo Estudo Revela Ligação Entre Bactérias Orais e Ataques Cardíacos: Uma Abordagem InfecciosaPesquisadores da Finlândia e do Reino Unido publicaram, no Journal of the American Heart Association (JAHA), um estudo inovador que sugere que o infarto do miocárdio pode ser parcialmente uma doença infecciosa. A pesquisa detectou DNA de bactérias orais comuns dentro de placas arteriais em mais de 200 pacientes com doença arterial coronariana, reforçando a conexão entre a saúde bucal e a saúde cardiovascular. O estudo, liderado pelo professor Pekka Karhunen da Universidade de Tampere, encontrou material genético bacteriano dentro de placas ateroscleróticas pela primeira vez de forma convincente, mostrando que muitas bactérias da cavidade oral podem estar envolvidas na progressão da doença cardíaca. Entre elas, destacam-se os estreptococos viridans, geralmente inofensivos na boca, mas conhecidos por causarem endocardite infecciosa, uma infecção grave do coração. Esses estreptococos foram encontrados em 42% das placas coronarianas obtidas por autópsia e em 42,9% das amostras cirúrgicas. No total, DNA bacteriano foi identificado em cerca de 65,7% das placas de autópsias e 57,9% das placas cirúrgicas. Além dos estreptococos, outras bactérias orais associadas a doenças periodontais, como Porphyromonas gingivalis, Aggregatibacter actinomycetemcomitans, Fusobacterium nucleatum e Prevotella intermedia, também foram detectadas. Historicamente, desde os anos 1980, havia suspeitas de que infecções poderiam estimular inflamação crônica nas placas coronarianas, aumentando o risco de infartos. Estudos anteriores identificaram anticorpos para Chlamydia pneumoniae e indicavam que infecções dentárias poderiam contribuir para eventos cardíacos. O novo estudo expande essa visão, demonstrando que biofilmes bacterianos podem permanecer latentes e protegidos nas paredes arteriais, resistentes tanto a antibióticos quanto ao sistema imunológico. Sob condições específicas, esses biofilmes podem liberar bactérias virulentas, provocando a ruptura das placas e desencadeando ataques cardíacos. Esta pesquisa foi realizada em colaboração pelas Universidades de Tampere e Oulu, o Instituto Finlandês de Saúde e Bem-Estar, e a Universidade de Oxford, com amostras provenientes de pessoas que sofreram morte súbita de causas cardíacas e pacientes submetidos à cirurgia vascular. O projeto integra um consórcio europeu financiado pela União Europeia, abrangendo 11 países, e recebe apoio de fundações finlandesas voltadas para pesquisas cardiovasculares. Embora sejam necessários mais estudos para consolidar esses achados, o trabalho destaca a importância da higiene oral no contexto da saúde sistêmica, enfatizando a prevenção e o tratamento de infecções bucais como estratégias essenciais para a redução do risco cardiovascular. Este avanço científico evidencia que a saúde bucal pode influenciar diretamente a saúde do coração, reforçando a necessidade de uma abordagem integrada na medicina preventiva. Para mais informações, consulte o artigo original de Pekka Karhunen e colaboradores em Oral Health Group.

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