Fibras na Restauração Classe II: Resistência e Estética em Foco
· 3 min de leitura · Equipe Clinibud
O artigo comentado aborda um ensaio clínico controlado e duplo-cego que avaliou o desempenho clínico de restaurações em cavidades Classe II MOD utilizando compósitos de resina reforçados com fibras, comparados aos compósitos nanohíbridos convencionais. O estudo, conduzido por Mohamed M H, Abouauf E A e Mosallam R S, e revisado por Celine Raseekaanthan e Pirashani Umassudan, concentrou-se nos aspectos de adaptação marginal, fraturas grosseiras, descoloração marginal, correspondência de cor e ocorrência de cáries recorrentes por um período de 18 meses (URL original: https://doi.org/10.1038/s41432-025-01184-x).
Participaram 45 indivíduos, com idade média de 32,3 anos, selecionados da clínica educativa da Universidade do Cairo, Egito. Os pacientes apresentavam lesões cariosas em dentes posteriores vitais, classificadas com escore ICDAS entre 3 e 5, e foram divididos em três grupos: o primeiro utilizou compósito com fibras curtas de vidro, o segundo compósito com fibras de polietileno, e o terceiro com compósito nanohíbrido convencional. A escolha criteriosa dos pacientes excluiu aqueles com doenças sistêmicas, gravidez, hábitos parafuncionais ou alergias materiais, garantindo um grupo homogêneo e confiável.
A análise dos resultados foi realizada em intervalos de 3, 6, 12 e 18 meses através dos critérios modificados USPHS, garantindo rigor científico na avaliação das restaurações. O destaque do estudo foi o alto índice de retenção, de 97,7%, com apenas um paciente não concluindo o acompanhamento. Entre os resultados, a única diferença estatisticamente significativa foi observada na correspondência de cor, onde as restaurações reforçadas com fibras curtas de vidro apresentaram maior discrepância estética. Os demais parâmetros clínicos — adaptação marginal, descoloração, fraturas e recorrência de cáries — não apresentaram variações significativas entre os grupos, demonstrando desempenho clínico semelhante.
Os achados indicam que compósitos reforçados com fibras, tanto de vidro quanto de polietileno, oferecem desempenho clínico comparável aos compósitos nanohíbridos convencionais em restaurações Classe II MOD ao longo de um prazo de 18 meses. Contudo, a diferença observada na estética sugere que a escolha do material deve considerar o resultado estético final, considerando a preferência do paciente e o posicionamento do dente restaurado.
Este estudo contribui significativamente para a odontologia restauradora, ao validar o uso de compósitos reforçados com fibras, ressaltando seu potencial para resistência mecânica sem comprometer a longevidade da restauração, embora a estética possa exigir atenção especial. Tal conhecimento favorece a tomada de decisão clínica fundamentada e o avanço na aplicação de materiais restauradores.
Referência: Raseekaanthan, C., Umassudan, P. Fibre or facade? Do fibre reinforced composites really hold up in Class II restorations?. Evid Based Dent 26, 144–145 (2025). https://doi.org/10.1038/s41432-025-01184-x