Desafios no Diagnóstico e Manejo da Gingivite Lignosa: Relato de Caso Raro
· 3 min de leitura · Equipe Clinibud
A gingivite lignosa (GL) é uma manifestação incomum da deficiência de plasminogênio, caracterizada por pseudomembranas fibrinosas rígidas, ulcerações recorrentes e destruição periodontal progressiva. Apesar de sua raridade, o reconhecimento precoce desta condição é crucial para evitar complicações severas como cegueira e infertilidade.
Este artigo, de autoria de Metin Berk Kasapogu, Ahmet Turker, Betul Gedik e Necat Vakur Olgac, publicado na revista BMC Oral Health em 2025, apresenta um caso clínico desafiador envolvendo uma paciente de 16 anos com histórico de hipotireoidismo e lesões gengivais persistentes desde a infância, iniciadas após uma infecção por caxumba. A avaliação clínica e radiográfica evidenciou destruição óssea alveolar generalizada e mobilidade dentária. A biópsia revelou depósitos fibrinoides compatíveis com GL e análises hematológicas confirmaram deficiência sistêmica de plasminogênio, detectada por um teste ELISA.
A condição está intimamente ligada à deficiência genética de plasminogênio, em especial ao tipo I (hipoplasminogenemia), frequentemente associada à mutação K19E no gene PLG. Esta deficiência interfere na fibrinólise e na reparação tecidual, resultando em acúmulo de material fibrinoso e inflamação crônica. Embora a prevalência global seja de aproximadamente 1 por milhão, a ocorrência é significativamente maior na população turca, possivelmente devido a fatores genéticos e casamentos consanguíneos.
Clinicamente, a GL se manifesta com placas duras e pseudomembranas amarelas ou esbranquiçadas na gengiva, acompanhadas de ulcerações e inflamação. Frequentemente, é confundida com periodontite agressiva devido a sintomas semelhantes, o que ressalta a importância da biópsia e da avaliação multidisciplinar para um diagnóstico preciso. Além da cavidade oral, outras mucosas, como conjuntiva ocular e trato respiratório, podem ser afetadas, aumentando o risco de complicações graves.
O manejo da GL é desafiador e não existe um padrão terapêutico estabelecido. No caso apresentado, a paciente foi tratada inicialmente com bochechos de clorexidina a 0,12% e orientações para higiene oral suave, resultando em melhora da ulceração e diminuição do sangramento. A cirurgia, considerada uma opção com alto risco de recorrência rápida e agravamento das lesões, foi evitada. O tratamento sistêmico com reposição de plasminogênio, como plasma frescc congelado ou concentrados purificados, está sendo planejado em colaboração com hematologistas.
Este relato reforça a importância do diagnóstico precoce e da abordagem multidisciplinar para a GL, destacando os riscos de confusão com outras doenças periodontais e a necessidade de terapias específicas para evitar danos irreversíveis. A vigilância oftalmológica e genética também é essencial para identificar e prevenir manifestações sistêmicas.
O artigo original pode ser acessado em: https://bmcoralhealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12903-025-07092-x
Palavras-chave: gingivite lignosa, deficiência de plasminogênio, doença periodontal, manejo multidisciplinar, fibrinólise.
Autores: Metin Berk Kasapogu, Ahmet Turker, Betul Gedik, Necat Vakur Olgac.